Com o diabetes, a conversa vai nos dois sentidos
Quem tem periodontite tem cerca de 26% mais risco de desenvolver diabetes. E quem já tem diabetes tem cerca de 24% mais risco de periodontite. Uma alimenta a outra.
A boca é o início da saúde, não o fim. O que acontece nela não fica nela.
Dra. Jacqueline Schneider
CRO 146659/SP
Eu passei anos olhando para a boca como se ela terminasse nos dentes.
Hoje eu investigo antes de tratar. A gengiva inflamada não é um problema local: ela conversa com o resto do corpo, e essa conversa já foi medida.
Aqui eu escrevo sobre ela. Sem promessa de cura e sem palavra da moda. O que a ciência sustenta, eu conto com o limite exato do que ela sustenta. O que ainda não sustenta, eu digo que não sustenta, e isso aparece em toda página.
É um espaço de leitura, não de consulta. Nada aqui substitui uma avaliação.
O que a boca alcança
Quem tem periodontite tem cerca de 26% mais risco de desenvolver diabetes. E quem já tem diabetes tem cerca de 24% mais risco de periodontite. Uma alimenta a outra.
A periodontite se associa a pressão mais alta, e a forma severa aparece com cerca de 1,5 vez mais chance de hipertensão.
É associação. Tratar a gengiva não é tratamento para pressão alta.A periodontite é uma inflamação crônica com mediadores que circulam pelo corpo. Tratar a gengiva reduz a PCR no sangue, que é um marcador de inflamação sistêmica.
Tratar a periodontite durante a gravidez pode reduzir o risco de parto prematuro e de baixo peso ao nascer.
Pode reduzir. Não é garantia, e o pré-natal continua sendo do obstetra.As bactérias boas da boca convertem o nitrato dos vegetais em óxido nítrico, que ajuda a regular os vasos. O enxaguante antisséptico usado por rotina atrapalha esse caminho.
Nesse cenário a associação com Alzheimer é forte, ainda que no quadro geral seja moderada.
O papel da odontologia aqui é de componente. Ninguém previne Alzheimer escovando os dentes.2
Você conta qual sinal te trouxe: gengiva, ronco, sono, bruxismo ou intestino. As perguntas seguem o seu caso, e no fim você sai com as conversas que valem levar a uma avaliação.
ComeçarNão avalia a sua saúde e não dá diagnóstico.
Escrevo quando tenho o que dizer, não quando o calendário manda. Você recebe o texto com o limite exato do que a ciência sustenta, inclusive quando esse limite é "ainda não se sabe".
Comece pelo sinal que você percebe em casa. Cada texto diz o que a ciência sustenta e onde ela para.